Luciano Colicchio Fernandes apresenta que a incorporação crescente de tecnologia na arbitragem esportiva vem redesenhando não apenas a dinâmica das competições, mas também a estrutura econômica e institucional do esporte profissional. Sistemas como o VAR e o impedimento semiautomático transformaram decisões antes exclusivamente humanas em processos mediados por dados, sensores e algoritmos.
Esse movimento revela a consolidação de um verdadeiro mercado da confiança, no qual tecnologia, governança e regulação se tornaram ativos estratégicos. Leia o artigo completo para saber mais sobre o assunto!
A tecnologia como infraestrutura crítica do esporte moderno
O futebol, principal produto esportivo do país, oferece um exemplo claro dessa transformação. A decisão da Confederação Brasileira de Futebol de implantar o impedimento semiautomático a partir de 2026 sinaliza que a arbitragem tecnológica deixou de ser experimental e passou a integrar a infraestrutura básica da competição.

Esse tipo de tecnologia exige investimentos relevantes, contratos de longo prazo com fornecedores especializados e integração com sistemas de transmissão, coleta de dados e capacitação de árbitros. Na prática, cria-se uma nova cadeia econômica envolvendo empresas de tecnologia esportiva, operadores de dados, desenvolvedores de software e prestadores de serviços técnicos.
Segundo Luciano Colicchio Fernandes, quando a arbitragem passa a depender de sistemas tecnológicos complexos, o debate deixa de ser apenas esportivo e passa a ser também econômico e regulatório, com impactos diretos sobre custos operacionais e modelos de gestão das entidades esportivas.
O surgimento de um novo mercado fornecedor
A expansão da arbitragem tecnológica impulsionou o crescimento de um mercado específico de fornecedores globais, especializados em visão computacional, sensores ópticos, inteligência artificial e integração de dados em tempo real. Esses fornecedores competem não apenas por preço, mas por confiabilidade, escalabilidade e capacidade de atender exigências regulatórias distintas em cada país.
Esse cenário cria barreiras de entrada elevadas e tende à concentração, favorecendo empresas capazes de operar em larga escala e cumprir padrões técnicos rigorosos. Na avaliação de Luciano Colicchio Fernandes, esse movimento aproxima o esporte de setores como infraestrutura e telecomunicações, nos quais tecnologia crítica e regulação caminham juntas.
Regulação e responsabilidade em decisões automatizadas
À medida que a tecnologia passa a influenciar decisões centrais do jogo, cresce a necessidade de marcos regulatórios claros. Quem responde por um erro: o árbitro, a federação ou o fornecedor da tecnologia? Como auditar algoritmos e garantir isonomia entre competições?
Essas questões extrapolam o campo esportivo e dialogam com debates mais amplos sobre uso de tecnologia em decisões sensíveis. Luciano Colicchio Fernandes demonstra desta forma que o esporte funciona hoje como um laboratório visível dessas tensões, antecipando discussões que também aparecem em setores como finanças, saúde e segurança pública.
A ausência de governança adequada pode transformar a tecnologia, que deveria aumentar a confiança, em novo foco de controvérsia institucional.
Impactos econômicos e estratégicos para o setor
Do ponto de vista econômico, a arbitragem tecnológica influencia o custo total das competições, a precificação de direitos de mídia e a atratividade do produto esportivo para patrocinadores e investidores. Competições percebidas como mais confiáveis tendem a preservar valor e reduzir riscos reputacionais.
Além disso, a padronização tecnológica entre ligas e torneios pode facilitar a integração internacional do esporte, ampliando mercados e oportunidades comerciais. Conforme considera Luciano Colicchio Fernandes, esse é um dos fatores que explicam a rápida difusão dessas tecnologias, mesmo diante de resistências iniciais.
Tecnologia como ativo estratégico do esporte
A consolidação da arbitragem tecnológica indica que o esporte profissional entrou definitivamente na era da infraestrutura digital. Mais do que uma ferramenta de apoio, a tecnologia tornou-se parte do sistema que sustenta a credibilidade, a governança e o valor econômico das competições.
Em conclusão, na análise de Luciano Colicchio Fernandes, compreender esse movimento é essencial para avaliar o futuro do esporte como indústria. Em um ambiente de alta exposição midiática e monetização crescente, a confiança passa a ser um ativo tão relevante quanto audiência e performance esportiva, e a tecnologia, seu principal instrumento de sustentação.
Autor: Eslovenia Popova
