Tiago Schietti, empresário do setor cemiterial e funerário, acompanha uma transformação que vem ganhando espaço em diversas regiões do Brasil: o crescimento da cremação como alternativa ao sepultamento tradicional. Embora presente há décadas em alguns mercados internacionais, essa modalidade passou a despertar maior interesse entre famílias brasileiras nos últimos anos.
A expansão não ocorre por um único motivo. Mudanças culturais, fatores urbanos, novas preferências familiares e maior acesso à informação contribuem para esse cenário de crescimento gradual.
O que explica o aumento da procura pela cremação?
Uma das mudanças mais observáveis está relacionada ao comportamento das novas gerações. Muitas famílias passaram a buscar alternativas que ofereçam maior flexibilidade para homenagens e memorialização. Além disso, o aumento da mobilidade geográfica influencia decisões. Famílias que vivem em diferentes cidades ou países frequentemente buscam soluções que facilitem a preservação da memória sem depender de deslocamentos constantes.
Comparado ao passado, o acesso a informações sobre cremação também se tornou mais amplo, reduzindo dúvidas e preconceitos relacionados ao tema.
Como a urbanização influencia essa tendência?
O crescimento das cidades cria desafios ligados à ocupação do solo e ao planejamento urbano. Em áreas metropolitanas, a disponibilidade de espaços para expansão de infraestrutura cemiterial pode se tornar mais limitada ao longo do tempo. Nesse contexto, a cremação surge como uma alternativa considerada por muitas famílias dentro de um cenário urbano cada vez mais complexo.
A discussão não substitui outras modalidades funerárias, mas amplia o conjunto de opções disponíveis para diferentes perfis e necessidades.

Existem mudanças na forma de homenagear?
Sim. Um erro comum é acreditar que a cremação reduz as possibilidades de celebração da memória. Na prática, muitas famílias utilizam cerimônias personalizadas, encontros comemorativos e espaços memorialísticos para preservar lembranças. Outra mudança relevante envolve a valorização da trajetória individual.
Em vez de seguir modelos completamente padronizados, cresce o interesse por homenagens que reflitam características e histórias pessoais. Esse comportamento acompanha tendências observadas em diversos países.
Como o setor está se preparando para essa evolução?
A ampliação da procura exige investimentos em infraestrutura, qualificação profissional e atualização de processos operacionais. Além disso, cresce a necessidade de comunicação transparente para esclarecer dúvidas e orientar famílias sobre procedimentos, aspectos legais e possibilidades de memorialização.
Tiago Schietti acompanha um segmento que vem se adaptando para atender demandas mais diversificadas e expectativas cada vez mais específicas.
O papel da tecnologia e da gestão profissional
Ferramentas digitais vêm contribuindo para melhorar agendamentos, organização documental e relacionamento com os usuários. Ao mesmo tempo, a profissionalização da gestão permite que instituições ofereçam processos mais estruturados e alinhados às exigências regulatórias.
A combinação entre inovação e planejamento favorece uma experiência mais organizada para as famílias.
Uma tendência que deve continuar crescendo
Embora o sepultamento tradicional continue desempenhando papel importante na cultura brasileira, a cremação tende a ampliar sua participação nos próximos anos. Tiago Schietti atua em um setor que acompanha mudanças demográficas, urbanas e culturais de longo prazo. O crescimento da cremação demonstra como o mercado funerário está se adaptando a novos comportamentos e oferecendo alternativas compatíveis com uma sociedade em constante transformação.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
