Muitos lojistas entrando no mercado de mobilidade elétrica escolhem fornecedores chineses pelo menor preço sem saber detalhes. O empresário Fredy da Silva Gonçalves Bento, CEO da Litoral Mobilidade e conhecido como Fredy Restrito, acompanha esse padrão de perto em sua atuação com importação de motos elétricas, scooters e bicicletas elétricas.
O problema raramente aparece na chegada do contêiner. Ele surge meses depois, quando um cliente precisa de uma peça que ninguém tem, quando um modelo não consegue ser emplacado ou quando a bateria apresenta defeito e não há documentação técnica para orientar o reparo.
Onde o preço unitário engana
A cotação de fábrica mostra quanto custa o veículo, mas não quanto custa mantê-lo funcionando nas mãos do consumidor. Frete, impostos, armazenagem, garantia, reposição de componentes e treinamento de técnicos entram na conta depois, e são eles que definem se a operação dá lucro ou acumula problemas. Há ainda o capital parado: um veículo à espera de peça ocupa espaço, gera atendimentos repetidos e, muitas vezes, acaba devolvido ou vendido com desconto.
Na leitura de Fredy Restrito, a pergunta certa a fazer ao fabricante não é qual o menor preço, mas que suporte ele oferece ao longo da vida útil do produto. Um modelo alguns dólares mais barato pode sair muito mais caro se cada defeito exigir semanas de espera por uma peça vinda do outro lado do mundo.
A homologação que muita gente esquece
Com a fiscalização da Resolução 996 do Contran em vigor, a distinção entre ciclomotor e autopropelido deixou de ser detalhe técnico. Para que um ciclomotor seja registrado e emplacado de imediato, o modelo precisa estar homologado na Senatran pelo fabricante ou pelo importador, e é com base nessa homologação que o comprador apresenta o Certificado de Adequação à Legislação de Trânsito.
Isso transfere ao importador uma responsabilidade que vai muito além da compra. Fredy da Silva Gonçalves Bento avalia que, nesse novo cenário, trazer um lote sem verificar o enquadramento legal de cada modelo significa empurrar o risco para o cliente final, que pode ficar com um veículo impedido de circular. A conferência documental passou a fazer parte da negociação, e não do pós-venda.
Relacionamento com a fábrica vale mais que a cotação
Peças de reposição, manuais de serviço, diagramas elétricos e atualizações de componentes dependem de uma relação contínua com o fabricante. Fornecedores que tratam o importador como comprador ocasional raramente entregam esse nível de suporte.
Por isso, as viagens empresariais à China integram a rotina de Fredy da Silva Gonçalves Bento. Conhecer as fábricas pessoalmente, avaliar processos de produção e negociar condições de reposição permite selecionar parceiros com mais critério. A Litoral Mobilidade mantém centro de distribuição próprio com mais de 2.000 m² e estoque de aproximadamente R$ 8 milhões, estrutura que só se justifica quando a cadeia de abastecimento é previsível.
Importar é uma competência, não um atalho
O mercado brasileiro de mobilidade elétrica ainda convive com operações improvisadas, que compram volume grande, vendem rápido e desaparecem quando os primeiros defeitos surgem. Esse comportamento desgasta a confiança do consumidor em toda a categoria, inclusive nas empresas que trabalham de forma séria. Quem passa por uma experiência ruim com uma scooter sem assistência tende a atribuir a frustração à tecnologia elétrica como um todo, e não à loja específica que a vendeu.
A profissionalização do setor passa por tratar a importação como uma competência construída com tempo: critério na escolha de fornecedores, atenção à legislação e estoque pensado para a reposição, não apenas para a vitrine. Na trajetória de Fredy da Silva Gonçalves Bento, essa forma de importar é o que permite pensar em expansão nacional, porque uma rede de lojas só cresce com segurança quando cada produto vendido pode ser mantido funcionando.
