Segundo o empresário Eduardo Campos Sigiliao, o mercado de certificações e selos de qualidade cresceu de forma considerável nos últimos anos, impulsionado em parte pela percepção de que ter certificações é um diferencial competitivo em processos licitatórios. Essa percepção tem fundamento real em determinados segmentos e tipos de certame, mas está longe de ser universal. Existem certificações que efetivamente abrem portas em editais específicos, que são exigidas como condição de habilitação em contratos de alta relevância técnica ou que conferem pontuação adicional em critérios de julgamento.
Leia até o final e confira porque a certificação errada é dinheiro e tempo gastos que não voltam, como a certificação certa é uma vantagem competitiva que a concorrência sem aquele papel não consegue superar no mesmo edital.
Quais tipos de certificação têm impacto real e documentado na competitividade em processos licitatórios?
De acordo com Eduardo Campos Sigiliao, as certificações de sistema de gestão da qualidade, especialmente as da família ISO 9001, têm presença significativa em editais de serviços e fornecimentos de média e alta complexidade. Alguns contratos públicos exigem a certificação ISO 9001 como condição de habilitação, especialmente em contratações de órgãos federais com maior sofisticação no processo de qualificação de fornecedores. Em outros casos, a certificação não é exigência obrigatória, mas confere pontuação adicional em critérios de avaliação de proposta técnica onde a gestão da qualidade é um dos fatores avaliados. O impacto da ISO 9001 é mais relevante em contratações de serviços continuados, obras de maior porte e fornecimentos com requisitos de rastreabilidade e controle de qualidade documentado.
As certificações de sistemas de gestão ambiental e de segurança e saúde no trabalho, representadas pelas normas ISO 14001 e ISO 45001, têm crescido em relevância em editais de órgãos públicos com compromissos formais de sustentabilidade e de segurança laboral. Contratações federais em determinados segmentos já incluem a gestão ambiental e a gestão de segurança como critérios de avaliação ou como exigências de habilitação, e a tendência de ampliação desses requisitos é coerente com os compromissos de sustentabilidade que o governo federal tem assumido em acordos internacionais.
Para empresas que atuam em setores com maior impacto ambiental ou com riscos ocupacionais relevantes, o investimento nessas certificações tem potencial de retorno tanto em termos de acesso a certames mais exigentes quanto em termos de redução de riscos operacionais que poderiam comprometer a execução contratual.

Como identificar quais certificações são relevantes para os segmentos que sua empresa pretende atender no mercado público?
A pesquisa de editais anteriores e em vigor do segmento de mercado que a empresa pretende atender é o método mais confiável de identificar quais certificações têm impacto real naquele mercado específico. Ao analisar os requisitos de habilitação técnica e os critérios de julgamento de proposta técnica de editais de órgãos que compram o tipo de bem ou serviço que a empresa oferece, é possível identificar com precisão quais certificações aparecem como requisito, quais aparecem como critério de pontuação e quais simplesmente não aparecem em nenhum dos dois papéis. Essa análise empírica é muito mais confiável do que a recomendação genérica de certificações supostamente valorizadas no mercado público, porque o que efetivamente aparece nos editais do segmento específico é o único dado que tem correlação direta com resultado em licitações.
O acompanhamento das orientações normativas e dos guias de contratação publicados pelos órgãos centrais de compras governamentais, como a Secretaria de Gestão e Inovação do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos no âmbito federal, oferece perspectiva atualizada sobre quais qualificações e certificações estão sendo incorporadas aos modelos de referência de editais. Conforme alude o empresário Eduardo Campos Sigiliao, esses documentos normativos tendem a se difundir para outros órgãos e esferas de governo ao longo do tempo, de forma que o que é exigido nos editais federais mais sofisticados hoje tende a aparecer nos editais estaduais e municipais nos anos seguintes. Empresas que antecipam essas tendências e obtêm certificações que vão se tornar exigência crescente estão construindo vantagem competitiva com antecedência.
O diálogo com gestores de compras dos órgãos públicos que são clientes potenciais da empresa, quando realizado de forma ética e dentro dos limites legais da fase de planejamento da contratação, pode revelar quais requisitos de qualificação esses órgãos consideram mais relevantes e que poderiam ser incorporados nos próximos editais. Essa informação, combinada com a análise de editais históricos, constrói uma visão muito mais precisa sobre onde investir em certificação do que qualquer guia genérico sobre o assunto. O poder público que está planejando uma contratação complexa frequentemente tem clareza sobre quais padrões de qualificação considera essenciais, e esse conhecimento antecipado tem valor estratégico real.
Como calcular o retorno sobre investimento em certificação antes de comprometer recursos com o processo?
Como comenta Eduardo Campos Sigiliao, o cálculo do retorno sobre investimento em certificação para fins de competitividade em licitações começa com a estimativa do valor dos contratos que a certificação vai habilitar a empresa a disputar ou nos quais vai conferir pontuação adicional. Se a certificação é requisito de habilitação em contratos de determinado segmento com volume anual estimado de alguns milhões de reais, e a taxa de sucesso esperada é compatível com os recursos que serão investidos na participação, o custo da certificação pode ser facilmente absorvido no resultado esperado dos contratos conquistados. Se a certificação confere apenas um ou dois pontos adicionais em critério de avaliação com peso de dez por cento na nota final, o impacto no resultado dos certames pode não ser suficiente para justificar o investimento.
Os custos reais de obtenção e manutenção de uma certificação vão além das taxas de certificação pagas ao organismo certificador. Consultoria de preparação para adequação aos requisitos da norma, custo de implantação dos sistemas e processos exigidos pela norma, tempo da equipe dedicado à preparação para a auditoria de certificação, custos de auditorias de manutenção anuais e de recertificação periódica, e o custo contínuo de manter os sistemas de gestão funcionando conforme os requisitos da norma são todos componentes do custo total que precisam ser considerados na análise de viabilidade. Uma certificação que parece barata quando se considera apenas a taxa de certificação pode se revelar muito mais onerosa quando se inclui o custo total do processo e da manutenção ao longo de um ciclo de três anos.
Por fim, como destaca Eduardo Campos Sigiliao, a priorização das certificações com maior impacto por menor custo relativo é o exercício que resulta em um plano de investimento em qualificação que maximiza o retorno competitivo. Em muitos casos, uma única certificação bem escolhida tem mais impacto nos certames que a empresa disputa do que um conjunto de certificações de menor relevância para aquele mercado específico. A concentração de recursos na certificação mais relevante, executada com qualidade suficiente para resistir a auditorias rigorosas e para de fato transformar processos internos de forma que o diferencial competitivo seja real e não apenas documental, produz resultados melhores do que a distribuição de recursos em várias certificações superficialmente implantadas.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
