O médico radiologista Gustavo Khattar de Godoy destaca que a relação entre COVID-19 e fibrose pulmonar continua sendo um dos temas mais relevantes dentro da medicina respiratória moderna. Desde o início da pandemia, especialistas passaram a observar que parte dos pacientes desenvolvia alterações permanentes no pulmão mesmo após a recuperação clínica da infecção. Ao longo deste artigo, serão abordados os principais impactos da COVID-19 nos pulmões, os fatores de risco relacionados à fibrose pulmonar, os sintomas mais comuns, os métodos de diagnóstico e os desafios enfrentados pelos pacientes no processo de recuperação respiratória.
O que é fibrose pulmonar e por que ela preocupa?
A fibrose pulmonar é uma condição caracterizada pela formação de cicatrizes no tecido pulmonar. Essas cicatrizes tornam o pulmão menos flexível, dificultando a troca adequada de oxigênio. Como consequência, o paciente pode apresentar falta de ar, cansaço constante e limitação física progressiva. Após a pandemia, o tema ganhou ainda mais atenção devido aos casos de pessoas que, mesmo depois da cura da COVID-19, permaneceram com alterações respiratórias persistentes. Em quadros mais graves, a inflamação intensa causada pelo vírus desencadeou danos estruturais importantes nos pulmões.
Gustavo Khattar de Godoy ressalta que a avaliação por imagem passou a ter papel essencial na identificação dessas sequelas, especialmente em pacientes que apresentaram comprometimento pulmonar extenso durante a fase aguda da doença.
Como a COVID-19 pode causar danos permanentes ao pulmão?
A COVID-19 possui forte capacidade inflamatória. Em muitos pacientes, principalmente aqueles que necessitaram de internação, ventilação mecânica ou oxigênio prolongado, o pulmão sofreu agressões intensas ao longo do tratamento. Ou seja, durante esse processo inflamatório, o organismo tenta reparar os tecidos lesionados. Entretanto, em alguns casos, a regeneração ocorre de maneira inadequada, favorecendo o surgimento de fibrose pulmonar.
Além da gravidade da infecção, outros fatores podem aumentar o risco de sequelas respiratórias, como:
- Idade avançada;
- Tabagismo;
- Doenças pulmonares pré-existentes;
- Hipertensão e diabetes;
- Longos períodos de internação.
Embora muitos pacientes apresentem melhora gradual com o passar dos meses, parte deles continua convivendo com limitações respiratórias relevantes.
Quais sintomas podem indicar fibrose pulmonar após a COVID-19?
Os sintomas podem surgir semanas ou até meses após a infecção. Em alguns casos, o paciente acredita estar totalmente recuperado, mas continua percebendo dificuldades respiratórias durante atividades simples do cotidiano. Entre os sinais mais frequentes, estão:
- Falta de ar ao caminhar;
- Tosse seca persistente;
- Sensação de fadiga constante;
- Redução da capacidade física;
- Desconforto respiratório aos esforços;
Muitas pessoas também relatam dificuldade para retornar às atividades profissionais e exercícios físicos devido à redução da resistência pulmonar. Segundo Gustavo Khattar de Godoy, a persistência desses sintomas deve ser investigada de forma cuidadosa, especialmente quando há histórico de pneumonia viral extensa causada pela COVID-19.

Como os exames de imagem ajudam no diagnóstico?
A radiologia tornou-se uma das áreas mais importantes no acompanhamento das sequelas pós-COVID. A tomografia computadorizada de tórax é considerada um dos principais exames para identificar alterações compatíveis com fibrose pulmonar. Esse exame permite observar detalhes do tecido pulmonar, incluindo áreas de inflamação residual, espessamentos e formações cicatriciais. Além disso, o acompanhamento radiológico ajuda os médicos a avaliarem a evolução clínica do paciente ao longo do tempo.
Além da tomografia, outros exames também podem ser utilizados, como:
- Testes de função pulmonar;
- Oximetria;
- Avaliação clínica respiratória;
- Exames laboratoriais complementares.
Gustavo Khattar de Godoy enfatiza que o diagnóstico precoce pode contribuir para estratégias terapêuticas mais eficazes, reduzindo impactos funcionais e melhorando a qualidade de vida dos pacientes.
Existe tratamento para fibrose pulmonar pós-COVID?
O tratamento depende da gravidade do quadro e da extensão das sequelas pulmonares. Em muitos pacientes, a reabilitação pulmonar apresenta resultados positivos, principalmente quando iniciada precocemente. Sendo assim, a fisioterapia respiratória ajuda a melhorar a capacidade pulmonar, aumentar a resistência física e reduzir sintomas respiratórios persistentes. Em situações específicas, também podem ser indicados medicamentos anti-inflamatórios e terapias de suporte.
Outro ponto importante envolve o acompanhamento contínuo. Como a fibrose pulmonar pode evoluir de maneiras diferentes entre os pacientes, o monitoramento médico torna-se fundamental para identificar alterações clínicas ao longo do tempo. Nesse sentido, Gustavo Khattar de Godoy observa que a conscientização sobre os efeitos tardios da COVID-19 ainda precisa avançar, principalmente para incentivar diagnósticos precoces e acompanhamento adequado dos pacientes com sintomas persistentes.
Quais desafios ainda cercam os casos pós-COVID?
Mesmo após o fim do período crítico da pandemia, os impactos da COVID-19 continuam sendo sentidos em diversas áreas da saúde. O aumento de pacientes com queixas respiratórias prolongadas gerou novos desafios para médicos, hospitais e sistemas de acompanhamento clínico.
O médico radiologista Gustavo Khattar de Godoy reforça que a integração entre radiologia, pneumologia e reabilitação respiratória tem sido essencial para melhorar a condução desses casos e oferecer maior qualidade de vida aos pacientes afetados pelas sequelas pulmonares da COVID-19.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
