O Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres de São Paulo (Cetras-SP) recebeu 50 ovos de aves silvestres apreendidos no Aeroporto Internacional de Guarulhos. Os materiais foram localizados pelo Ibama em duas ações de fiscalização realizadas no início de outubro, e os animais passaram a ser acompanhados por equipes especializadas do centro vinculado à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil).
Segundo a Semil, a primeira apreensão ocorreu em 1º de outubro de 2026, quando 34 ovos foram encontrados em uma bagagem fiscalizada. Em 4 de outubro, outros 16 ovos foram localizados durante uma segunda ação. As duas ocorrências totalizaram 50 unidades encaminhadas para atendimento especializado.
Ovos pertencem a espécies de psitacídeos
Os ovos pertencem a aves da família dos psitacídeos, grupo que reúne espécies como araras, maracanãs, papagaios e periquitos. A presença de araras já foi confirmada, mas a identificação completa dos animais ainda não foi concluída pelas equipes responsáveis. A análise é importante para orientar os cuidados durante a incubação e as etapas posteriores de desenvolvimento.
A primeira ocorrência também foi divulgada pela Polícia Federal, que registrou a apreensão de 34 ovos no aeroporto localizado em Guarulhos. O caso evidencia a atuação integrada de órgãos de fiscalização e proteção ambiental em uma das principais portas de entrada e saída de passageiros e cargas do país.
Dez filhotes já nasceram
De acordo com as informações divulgadas pela Semil, dez filhotes já nasceram e permanecem sob cuidados especializados no Cetras-SP. Os demais ovos estão mantidos em uma incubadora com temperatura de 37,4 °C e umidade de 50%, condições controladas para favorecer o processo de eclosão.
Depois que nascem, os filhotes são encaminhados para uma unidade de tratamento animal. Nesse espaço, recebem alimentação específica e acompanhamento contínuo. O objetivo é acompanhar o desenvolvimento e o ganho de peso, além de reduzir riscos durante uma fase em que as aves ainda dependem de cuidados técnicos para sobreviver.
A rotina de atendimento mostra que o trabalho realizado após uma apreensão não termina com a retirada dos animais da bagagem. O encaminhamento envolve incubação, monitoramento, alimentação e avaliação das condições de cada indivíduo. A destinação só pode ser definida conforme a evolução dos filhotes e os critérios técnicos aplicáveis à fauna silvestre.
Tráfico de animais exige fiscalização contínua
O transporte irregular de ovos e animais silvestres pode comprometer o desenvolvimento das espécies e aumentar a mortalidade durante o deslocamento. No caso de ovos, a necessidade de temperatura, umidade e manejo adequados torna a operação ainda mais delicada, especialmente quando o material é transportado fora de condições apropriadas.
O Ibama mantém informações institucionais sobre fauna silvestre e a atuação relacionada à proteção desses animais. Em Guarulhos, a apreensão ocorreu durante fiscalização no aeroporto, enquanto o Cetras-SP assumiu a etapa de atendimento e reabilitação dos ovos e filhotes.
Os números do centro ajudam a dimensionar a demanda. Entre janeiro de 2023 e setembro de 2026, o Cetras-SP recebeu 33.502 animais. No mesmo período, 20.211 foram reabilitados e destinados à soltura ou a empreendimentos de fauna autorizados, conforme dados da Semil.
A destinação dos animais depende da avaliação individual e das condições estabelecidas pelos profissionais responsáveis. Quando há possibilidade de retorno à natureza, o processo precisa considerar o desenvolvimento, a saúde e a capacidade de sobrevivência. Em outras situações, os animais podem ser encaminhados a empreendimentos autorizados, seguindo as regras aplicáveis à fauna silvestre.
O que acontece depois da apreensão
O caso dos 50 ovos apreendidos em Guarulhos ilustra as diferentes etapas que podem seguir uma ocorrência de tráfico ou transporte irregular de animais. Após a fiscalização, o material é encaminhado a uma estrutura especializada, onde passa por triagem, incubação e acompanhamento. O nascimento dos filhotes representa apenas uma das fases do trabalho, que continua até a definição da destinação adequada.
Enquanto os ovos permanecem na incubadora, as equipes monitoram as condições necessárias para a eclosão. Após o nascimento, os filhotes recebem alimentação e cuidados voltados ao desenvolvimento. A identificação das espécies também continua sendo realizada para apoiar as decisões técnicas sobre reabilitação, soltura ou encaminhamento autorizado.
