Sistema automático inaugurado em fevereiro de 2026 ainda funciona em horário reduzido, mas prevê operação integral no segundo semestre. Entenda como usar.
Quem já tentou chegar ao Aeroporto Internacional de Guarulhos no horário de pico sabe que o trânsito na região pode transformar uma viagem simples em uma corrida contra o relógio. Por anos, a solução foi a mesma para a maioria dos passageiros: pagar por um táxi, aplicativo de transporte ou ônibus fretado, torcendo para que o congestionamento na Rodovia Hélio Smidt não comprometesse o embarque. Essa realidade começou a mudar no dia 20 de fevereiro de 2026, quando o Aeromovel entrou em operação conectando a Estação Aeroporto-Guarulhos da Linha 13-Jade da CPTM diretamente aos terminais aeroportuários. A nova ligação, que usa propulsão pneumática em um trajeto elevado de 2.700 metros, representa a primeira integração ferroviária direta entre o metrô de superfície paulista e um aeroporto no país, segundo informações da concessionária AeroGRU.
Como funciona o Aeromovel e quem pode usar
O sistema opera com um veículo adaptado especialmente para viajantes, com menos assentos do que um trem convencional e mais espaço interno para acomodar malas volumosas. O trajeto é curto e faz a conexão direta entre a estação da CPTM e os terminais do aeroporto, eliminando a necessidade de ônibus circular que ainda é utilizado fora do horário de funcionamento do Aeromovel. Nesta fase inicial de operação assistida, o sistema funciona das 17h30 à 0h, com capacidade para cerca de 500 passageiros por dia entre embarques e desembarques, segundo informações da AeroGRU divulgadas pelo portal ABC do ABC e pela Revista O Empreiteiro.
A tecnologia de propulsão pneumática empregada pelo Aeromovel é incomum em sistemas de transporte urbano e representa um dos pontos de interesse técnico do projeto. O veículo se desloca pela via elevada por meio de pressão de ar gerada por compressores instalados ao longo do percurso, sem motor elétrico próprio. Nos primeiros dias de operação aberta ao público, passageiros relataram desconforto com o nível de ruído gerado pelo sistema. Em resposta, o consórcio responsável, formado pelas empresas HTB, FBS e Aerom, iniciou um tratamento acústico na via e nos veículos, com medições técnicas programadas para verificar os resultados.
O que ainda precisa melhorar e quando a operação integral está prevista
A fase atual é de operação gradual e ainda enfrenta limitações significativas. Funcionar apenas das 17h30 à 0h exclui a maioria dos voos da manhã e da tarde, que correspondem a uma parcela expressiva do movimento do GRU. Passageiros que chegam na Estação Aeroporto-Guarulhos fora desse horário ainda precisam utilizar o ônibus circular para acessar os terminais, o que reduz a praticidade da integração ferroviária neste momento. A expectativa da AeroGRU é que a operação integral, cobrindo o horário completo da CPTM das 4h à 0h, esteja disponível a partir do segundo semestre de 2026.
Outro ponto de melhoria previsto é a entrada de um segundo veículo na operação. Atualmente, o sistema conta com apenas um trem, o que limita a capacidade e a frequência das viagens. A incorporação do segundo veículo estava prevista para o primeiro semestre de 2026, de acordo com o consórcio. Originalmente anunciado em 2019, o projeto passou por paralisações e questionamentos do Tribunal de Contas da União ao longo dos anos, o que adiou sua conclusão por quase sete anos. A entrada em operação, mesmo que parcial, é vista como um marco relevante para a mobilidade na região metropolitana de São Paulo e para o posicionamento do GRU como hub aeroportuário de referência na América Latina.
O que significa para Guarulhos e para os passageiros do GRU
Para a cidade, o Aeromovel representa mais do que uma melhoria de transporte. A integração ferroviária com o principal aeroporto do país é um fator de valorização econômica e de atração de investimentos para a região. Guarulhos já se beneficia da presença do GRU como polo de logística e comércio, mas a melhoria do acesso por transporte público tende a ampliar ainda mais essa dinâmica, facilitando o deslocamento de trabalhadores e reduzindo os custos de quem usa o aeroporto regularmente.
Para os passageiros, o ganho mais imediato é a previsibilidade. Ao contrário do transporte rodoviário, que está sujeito a congestionamentos imprevisíveis, o trem da CPTM opera em via exclusiva e cumpre horários com regularidade bem maior. Quando a operação integral do Aeromovel estiver disponível, a combinação CPTM mais Aeromovel vai oferecer uma alternativa real para quem parte da região central de São Paulo ou dos municípios servidos pelas linhas da companhia. Por enquanto, quem viaja à noite já pode aproveitar. O restante aguarda o segundo semestre com a expectativa de finalmente ter um acesso ferroviário completo ao maior aeroporto do Brasil.
Fontes: ABC do ABC | Revista O Empreiteiro | Aeroporto de Guarulhos | GuarulhosWeb
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
