Diferentemente de fundos abertos, que permitem resgate a qualquer momento, estruturas fechadas como FIDCs e FIPs organizam a devolução de recursos aos cotistas em períodos predefinidos, mecanismo que equilibra a necessidade de liquidez do investidor com o horizonte de maturação dos ativos que compõem a carteira
Um dos primeiros conceitos que um investidor precisa compreender antes de aplicar em um fundo estruturado é a diferença entre fundos abertos e fundos fechados. Enquanto um fundo aberto permite que o cotista solicite o resgate de sua posição a qualquer momento, recebendo o valor correspondente em prazo relativamente curto, um fundo fechado como um FIDC ou um FIP costuma restringir a devolução de recursos a janelas específicas de resgate, previamente definidas em regulamento, ou até mesmo condicionar a saída do investidor à venda de sua posição a outro investidor no mercado secundário, já que o fundo não é obrigado a devolver o capital antes do prazo estabelecido.
Essa diferença estrutural não é um detalhe técnico secundário, mas uma característica central que determina a compatibilidade de um fundo com o perfil e as necessidades de liquidez de cada investidor. Um FIDC lastreado em recebíveis com prazo médio de vencimento de dois anos, por exemplo, dificilmente conseguiria honrar resgates a qualquer momento sem comprometer sua capacidade de manter a carteira de créditos que sustenta sua rentabilidade, o que explica por que esse tipo de estrutura costuma adotar janelas de resgate compatíveis com o horizonte de maturação de seus próprios ativos.
Descasamento entre liquidez do fundo e liquidez dos ativos gera risco sistêmico
O principal motivo pelo qual fundos estruturados fechados adotam janelas de resgate, em vez de liquidez diária, está na necessidade de evitar o chamado descasamento de liquidez, situação em que um fundo promete aos cotistas uma capacidade de resgate mais rápida do que sua carteira de ativos efetivamente permite. Quando esse descasamento existe e um número relevante de cotistas solicita resgate simultaneamente, o fundo pode ser forçado a vender ativos de forma apressada e com deságio significativo para honrar essas solicitações, o que prejudica não apenas quem está resgatando, mas também os cotistas que permanecem investidos na estrutura.
Para Saudir Filimberti, diretor da ID CTVM, o desenho correto das janelas de resgate é um dos elementos mais importantes da estruturação de um fundo fechado:
“Um fundo bem estruturado tem suas regras de resgate desenhadas em compatibilidade direta com o prazo de maturação dos ativos que compõem sua carteira. Quando essa compatibilidade não existe, o fundo carrega um risco de liquidez que pode não se manifestar em condições normais de mercado, mas que se torna extremamente problemático justamente nos momentos em que mais cotistas desejam resgatar ao mesmo tempo. Cabe ao administrador fiduciário verificar se essa compatibilidade está de fato presente antes mesmo de o fundo começar a captar recursos junto a investidores”, avalia o executivo.
Comunicação clara sobre prazos evita frustração do investidor
Para o investidor pessoa física que ingressa em um fundo estruturado fechado, compreender com clareza, desde o momento da aplicação, quando e como poderá efetivamente reaver seus recursos é essencial para evitar frustração e desconfiança em relação ao produto adquirido. Um investidor que aplica recursos em um FIDC sem compreender que seu capital ficará indisponível até a próxima janela de resgate, que pode ocorrer apenas trimestral ou semestralmente, corre o risco de precisar desses recursos antes do prazo previsto, situação que poderia ter sido evitada com uma comunicação mais clara sobre as características de liquidez do produto no momento da aplicação.
A ID CTVM processa as solicitações de resgate de cotistas de fundos estruturados sob sua administração de acordo com as regras de liquidez definidas em cada regulamento, mantendo comunicação atualizada com gestoras e investidores sobre calendários de janelas de resgate e sobre eventuais restrições de liquidez aplicáveis a cada estrutura específica.
Mercado secundário complementa as janelas de resgate programadas
Para investidores que precisam de liquidez antes da próxima janela de resgate programada de um fundo, a alternativa costuma ser a venda de sua posição a outro investidor no mercado secundário, mecanismo que, como discutido em relação à negociação de cotas de FIDCs e de Notas Comerciais, vem ganhando profundidade nos últimos anos. Essa complementaridade entre janelas de resgate programadas e liquidez via mercado secundário amplia as opções disponíveis ao investidor que precisa acessar seus recursos antes do calendário original previsto pelo fundo.
Perspectivas para o desenho de liquidez de fundos estruturados
Com a base de investidores pessoa física em fundos fechados seguindo em expansão, a clareza na comunicação sobre janelas de resgate e a coerência entre essas regras e o horizonte real de maturação dos ativos de cada fundo devem se consolidar como critérios cada vez mais relevantes na avaliação de qualidade de uma estrutura de crédito privado. Para administradores fiduciários, garantir essa compatibilidade desde a fase de estruturação de um fundo permanece como uma das formas mais eficazes de proteger tanto a experiência do investidor quanto a estabilidade de longo prazo da própria estrutura.
Sobre a ID CTVM
A ID CTVM é uma instituição especializada em infraestrutura para o mercado de capitais, com serviços de administração fiduciária, custódia, escrituração, controladoria e distribuição de fundos de investimento. Fundada em 2020, a companhia reúne atualmente mais de 550 fundos e mais de R$ 50 bilhões sob administração e custódia, com presença relevante em estruturas como FIDCs, FIPs e FIIs. Combinando tecnologia, governança, conhecimento regulatório e eficiência operacional, a ID oferece suporte a gestores, investidores, empresas e demais participantes do mercado, contribuindo para operações mais seguras, eficientes e transparentes.
