O prefeito de Guarulhos, Lucas Sanches, enfrenta forte repercussão política local enquanto busca ajustar a direção de sua gestão após um primeiro ano marcado por polêmicas envolvendo a identidade visual da cidade. A coluna política local mais recente aponta que, depois de a gestão ter sido amplamente associada à predominância do amarelo — cor ligada ao partido do prefeito —, Lucas Sanches retoma o azul em espaços públicos aos poucos, numa tentativa de equilibrar a percepção da população e reduzir o impacto negativo dessas decisões.
O episódio inicial que desencadeou o debate foi a determinação do prefeito para que ônibus urbanos e diversos prédios públicos fossem pintados com as cores amarelo e azul, o que gerou críticas por alterar a distinção visual do transporte e “amarelar” a paisagem urbana sem claros benefícios administrativos. Essa medida chegou a implicar em ações judiciais e foi contestada tanto pela Justiça quanto por setores da sociedade, que criticaram a priorização de símbolos partidários no uso do patrimônio municipal.
A controvérsia ganhou ainda mais destaque quando uma decisão judicial proibiu a continuidade da pintura dos ônibus e demais equipamentos públicos nas cores associadas ao partido do chefe do Executivo municipal, destacando que símbolos partidários não deveriam guiar as cores de entidades públicas. Mesmo assim, o prefeito chegou a recorrer da decisão e a administração seguiu em alguns casos com a padronização de amarelo em estruturas municipais.
A mudança recente para maior uso do azul, observada em muros e trechos de obras como o viaduto e escolas municipais, reflete uma resposta às críticas e, possivelmente, à necessidade de dar mais equilíbrio à identidade visual da cidade. Segundo registros do acompanhamento político local, a predominância do amarelo teria sido interpretada como um símbolo de gestão marcada por uma estética partidária, mais do que por resultados em ações públicas concretas no primeiro ano.
A discussão sobre cores urbanas pode parecer estética à primeira vista, mas ganhou dimensão política significativa em Guarulhos, pois ficou associada à percepção de gestão mais preocupada com símbolos do que com entregas efetivas à população. A necessidade de “retomar o azul” foi interpretada por observadores como um sinal de tentativa de reconectar a atuação administrativa com expectativas mais amplas dos moradores, após episódios de forte discordância pública.
Críticas à administração de Lucas Sanches também têm se estendido a outras frentes, como ajustes polêmicos em políticas urbanas e decisões em setores essenciais, incluindo transporte público e educação, que têm gerado feedback misto da população e de setores da mídia local. Observadores políticos destacam que o prefeito enfrenta um desafio de manter a coerência entre identidade, gestão e entregas à população ao longo de seu mandato.
Nos bastidores, aliados do prefeito argumentam que decisões como a escolha das cores obedecem a uma lógica de padronização visual, enquanto críticos insistem que a administração deveria priorizar obras e políticas públicas tangíveis em vez de símbolos visuais. Com a aproximação de marcos políticos importantes em 2026, esses debates sobre a gestão municipal podem ganhar ainda mais destaque entre guarulhenses atentos ao desempenho do Executivo local.
A evolução da identidade visual nas ruas de Guarulhos, com a redução do amarelo e a crescente presença do azul, é mais um elemento desse cenário político urbano em transformação, ilustrando como questões aparentemente simbólicas podem se entrelaçar com a avaliação pública da gestão e com a estratégia política de um prefeito em exercício.
Autor: Eslovenia Popova
